O croqui interno da aluna Carolina Diniz consiste traços
leves e com "teor de esboço", que chamaram minha atenção por
determinarem bem o local que está sendo representado de maneira simples e singela.
O croqui ocupa de forma excelente todo o âmbito da folha de papel, o que
leva ao expectador a fazer análise por inteiro do desenho, por equilibrar
o conteúdo exposto. Apesar de não ficar muito evidente a mudança
de perspectiva dos dois pontos de fuga retratados, a escolha feita por ela de
traçar os objetos presentes no hall de entrada da faculdade auxilia, de certa forma,
o olhar a associar onde está acontecendo a troca de perspectiva, fato que deixa quase
imperceptÃvel a pequena falha com os pontos de fuga.
O desenho pode ser visto em: https://carolinadinizarqaia.blogspot.com.br/2017/08/croqui-interno-2.html?m=1
A partir da conexão de rede de objetos feita em sala de aula, optei por conectar a minha camiseta de banda ao CD e ao fone de ouvido. De certa forma, todos estes apetrechos estão conectados à música: que foi a linha de raciocÃnio que segui para escolhê-los em termos de conectividade. Portanto, para a execução do esboço da minha proposta de objeto programático, tendi a focar na subjetividade objetiva de cada um dos aparelhos apresentados: transmitir algum tipo de sensação além do sentido auditivo, de modo que considerei também as variações de emoções que a utilização dos objetos conectados à rede poderiam passar quando estão sendo usados no seu conceito finalÃstico. Diante de tais caracterÃsticas, tentei mentalizar um objeto que tivesse a proposta de executar tal façanha detendo-se da relação fÃsica (tato) como modo de interatividade, de maneira em que o usuário poderia manuseá-lo da forma em que bem entendesse para expressar e refletir as suas emoções enquanto detêm deste objeto em mãos. Pretendo permanecer no mesmo caminho na criação do meu protótipo final de objeto, porém este está sujeito a posteriores modificações.
"0 ou 1"
Reflexão sobre os condicionamentos de renda e etnia e as suas relações com a arquitetura
A apresentação da proposta de Laurie Anderson a respeito da metáfora do 0 ou 1 fala a respeito da polarização cultural que se tem inseridas dentro do contexto social, dividindo em pólos opostos números tão próximos (0 e 1), porém tão distantes quando colocados lado a lado para relativizar as condições ou o mérito de algo ou alguém. Esta análise pode ser comparada à s questões de polarização de dois tópicos sociais bastante interligados entre si e entre a arquitetura no contexto brasileiro: a etnia e as condições de renda dos indivÃduos. Em detrimento dos processos de colonização e de "conquista" territorial, pode-se citar, a exemplo, o processo de abolição da escravatura e a consequente diáspora negra brasileira, deixada à mercê de sua sorte e completamente rejeitada em termos de apropriação de bens imobiliários, sendo forçada a ocupar periferias conforme aconteciam as revoluções urbanas, dando origem ao que conhecemos hoje como aglomerações ou favelas, onde a maioria dos habitantes detém de tez escura. O ato de não condicionar boas condições infraestruturais a tais cidadãos apenas deixa explÃcito o quão seletiva é a relação dos homens para com seus pertences de espaço, de forma que a arquitetura de bons agrados estéticos, infraestruturais e funcionais, passa a ter um caráter extremamente exclusivo à queles que obtém maiores influências de renda e status na contextualização humana, o que, geralmente, tem melhora gradual em função de descendências de etnias de peles claras e feitios europeus. Além da ocorrência de tais eventualidades, pode-se levar, também, em consideração no contexto brasileiro, da predominância de pessoas de pele não-branca em situação de rua, de tal forma a serem rejeitados socialmente, o que põe em destaque a gestão arquitetônica das cidades. Denominada "arquitetura hostil", este tipo de construção costuma empregar bancos inclinados em praças e pontos de ônibus, acessórios pontiagudos embaixo de viadutos e pontes, bancos de alumÃnio que costumam estar sempre bem gelados, dentre outros dispositivos que visam impedir a presença de determinadas pessoas em dados locais. Esses acontecimentos reforçam as relações que o brasileiro tem com o racismo estrutural/institucional, além de contribuir para a manutenção da exclusão nas hierarquias sociais e na arquitetura, separando a sociedade por etnia e por classe.
A diferença entre a roupa e a arquitetura
As funções da arquitetura e da roupa apesar de serem muito semelhantes em questão de funcionalidade, podem divergir em certos aspectos. A roupa, por exemplo, é detida de caráter que envolve diversas noções de individualidades: conscientemente ou não, as pessoas tendem a se vestir como elas se sentem no dia a dia, de modo a passar uma determinada leitura de si para o contexto social em que se inserem. Já a arquitetura, por mais que objetive passar mensagens sobre determinada ocupação de espaço, não tem mudança em sua forma e em suas caracterÃsticas diariamente.Animação Cultural - Vilém Flusser
Outrora meros acessórios utilizados para garantir leve conforto, as aparelhagens tecnológicas costumavam suprir apenas necessidades relativamente básicas -tais como iluminação ou preparo de alimentos- do homem não-contemporâneo. É notável, de certa forma, em contra-partida à relação existente entre o homem e a tecnologia em tempos não remotos, o impacto que esta causou à vida humana, de forma a alterar a interação homem-objeto, na medida em que torna os indivÃduos inseridos no contexto atual bastante dependentes de apetrechos eletrônicos. Os objetos tecnológicos são capazes de reger os comportamentos interpessoais. O encurtamento das distâncias em vista ao avanço dos meios de comunicação ocasionou a uma necessidade imediata de retorno e acesso à s informações, além de reduzir o contato que se tem com aqueles que estão mais próximos em questão de vÃnculos face a face. Ademais, aproveitando-se da disseminação crescente de aparelhos tecnológicos, os mercados responsáveis por divulgar e lançar tais objetos eletrônicos, detém de recursos que impulsionam uma cultura de consumo, na medida em que sempre são divulgadas novidades a fim de tornar antigos modelos de tecnologia obsoletos. Dada ocorrência, além de manter os indivÃduos frequentemente assÃduos para acompanharem o que há de novo, exclui do contato pessoal e virtual, proporcionalmente, daqueles que não detém tanto de objetos mais recentes quanto de objeto algum, o que aprofunda o conflito nas relações humanas.









